Cristiano Pinheiro
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COMO EVITAR FRAUDES EM OFERTAS DE EMPREGO ONLINE?

A procura de emprego é, por si só, um processo desgastante, e a ele juntou-se um problema novo: a multiplicação de fraudes nos mais diversos setores. Mesmo em vagas de aparência normal surgem esquemas capazes de enganar o candidato mais cauteloso. Aprender a identificá-los é o que permite proteger-se de forma eficaz.

Em primeiro lugar, deverá analisar bem o anúncio da oferta de emprego. A existência de erros ortográficos ou gramaticais pode ser um alerta de que se trata de uma oferta falsa. Anúncios que não especificam os detalhes ou as exigências da vaga indicam também que a proposta pode não ser verdadeira, pois uma oferta de emprego genuína é clara e precisa quanto aos requisitos e às características procuradas num candidato. Deverá igualmente desconfiar quando o anúncio promete salários muito acima da média, benefícios demasiado generosos ou condições de trabalho irrealistas.

Deverá ainda desconfiar de qualquer oferta de trabalho que solicite os seus dados bancários, assim como pagamentos antecipados. Existem esquemas de falsas ofertas de emprego que exigem depósitos aos candidatos para concorrer à vaga, ou até para uma alegada formação inicial. Empresas legítimas não cobram quaisquer montantes para que alguém se candidate a um emprego.

Um sinal de alerta que merece nota própria: propostas de trabalho que consistem em receber dinheiro na sua conta e reencaminhá-lo para terceiros, muitas vezes apresentadas como funções de "agente financeiro" ou "gestor de pagamentos". Não é emprego, é recrutamento de intermediários para movimentar fundos de origem criminosa. Quem aceita arrisca ver-se envolvido, ele próprio, num processo-crime, e a alegação de desconhecimento raramente convence quando os sinais eram evidentes.

Em segundo lugar, deverá pesquisar a empresa que se encontra em processo de recrutamento. Muitas vezes, os autores dos anúncios fraudulentos apropriam-se do nome e do logótipo de uma empresa existente para convencer os candidatos de que a vaga é verdadeira. Nessa pesquisa deverá procurar os sítios oficiais onde possa consultar dados como moradas e contactos, porque, sendo frequente o uso de nomes de empresas reais, se o contacto indicado no anúncio não corresponder ao que consta do sítio oficial da empresa, poderá estar perante uma oferta falsa.

Tenha atenção a mensagens de correio eletrónico que afirmam ter visto o seu currículo online ou lhe apresentam uma proposta, convidando-o a preencher os seus dados. Nesses casos, procure verificar a fiabilidade da empresa e contacte-a por telefone, para perceber se a oportunidade é verdadeira. Atenção também a mensagens e chamadas de phishing com o mesmo conteúdo.

Para evitar ser vítima destas fraudes, faça a pesquisa em fontes fidedignas e junto de empresas de recrutamento credíveis, compare vagas semelhantes em portais de emprego reconhecidos, informe-se sobre a empresa que está a contratar e contacte-a diretamente através dos contactos constantes dos seus sítios oficiais. Nunca clique em ligações constantes de anúncios ou recebidas de remetentes duvidosos, nem forneça os seus dados pessoais ou bancários. Use palavras-passe seguras e mantenha-as atualizadas.

Evite ainda incluir dados pessoais, contactos ou data de nascimento em currículos publicados em acesso livre. Assim, dificulta que pessoas mal-intencionadas acedam a esses dados e os utilizem para fins ilícitos.

E se já foi vítima?

Aja depressa, porque o tempo é aqui decisivo. Se transferiu dinheiro, contacte imediatamente o seu banco e peça a tentativa de reversão da operação, que só é possível enquanto os fundos não tiverem sido levantados. Se forneceu dados bancários ou credenciais, cancele os cartões e altere de imediato as palavras-passe. Preserve tudo: anúncio, mensagens trocadas, endereços, números de telefone, comprovativos de transferência e identificação das contas de destino.

Reunida a prova, apresente queixa junto da PSP, da GNR, da Polícia Judiciária ou diretamente no Ministério Público. Estes esquemas configuram, em regra, o crime de burla, e, consoante a forma como são executados, podem envolver ainda burla informática, falsidade informática ou usurpação de identidade da empresa cujo nome foi utilizado. A queixa é o que permite investigar e, não raro, identificar padrões que ligam várias vítimas do mesmo autor. Não presuma que, por o valor ser pequeno ou o autor estar no estrangeiro, nada há a fazer: sem queixa, é seguro que nada será feito.

Sobre o Autor

Cristiano Pinheiro é Advogado em Braga. Faz da defesa de quem foi lesado ou injustamente acusado o centro da sua advocacia, em Direito da Família, Responsabilidade Civil e Direito Penal.

“Onde a Verdade encontra a Excelência